Ivo Castro nasceu em Lisboa em 1945, estudou em Lisboa e em Paris, iniciou a sua carreira de docente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa em 1969, percorreu bibliotecas e universidades da Europa e do Brasil, como pesquisador, professor ou conferencista convidado. Mas a sua carreira de docente desenvolveu-se sempre na Universidade de Lisboa, onde foi professor catedrático, diretor do Departamento de Linguística, diretor do Centro de Linguística e do seu grupo de Filologia, diretor da Cátedra de Estudos Galegos e diretor da Área de Ciências da Linguagem. Em 2016, três anos após a sua aposentação, foi-lhe atribuído pelo Reitor da Universidade de Lisboa o título de professor emérito, em reconhecimento do seu perfil invulgar de humanista e da influência do seu magistério em gerações de estudantes que orientou em mestrados e doutoramentos.

Responsável pela edição crítica de autores como Fernando Pessoa e Camilo Castelo Branco, editor de textos medievais e barrocos, crítico, conhecedor notável e divulgador de textos portugueses de diferentes épocas e géneros, Ivo Castro está desde há muito no centro da investigação filológica em Portugal. Especialista em história da língua portuguesa e crítica textual, em articulação feliz com a literatura, a cultura e a história, é autor de uma extensíssima, influente e variada produção científica e mestre de investigadores de orientações diversas, dentro e fora de Portugal. Impulsionador nato do diálogo entre investigadores de diferentes gerações e áreas disciplinares, continua, com a sua intervenção original, a instigar a construção de pontes e o trabalho colaborativo entre os estudiosos da língua portuguesa espalhados pelo mundo.

Da sua densa produção bibliográfica, destacam-se as obras: Introdução à História do Português (2006), com traduções italiana (2006) e espanhola (2013); História da Língua Portuguesa em linha (2001); Sobre a data da introdução na península Ibérica do ciclo arturiano da Post-Vulgata (1983); Estratégia e táctica da transcrição (1986; com Maria Ana Ramos); Sur le bilinguisme littéraire castillan-portugais (2002); A primitiva produção escrita em português (2004); ‘As Tardes de Verão’ de Fr. Jerónimo Baía (1971); Livro de José de Arimateia: estudo e edição do cod. ANTT 643 (1984; tese de doutoramento); Fernando Pessoa, O Manuscrito de “O Guardador de Rebanhos” (1986); Editar Pessoa (1990), 2.ª edição revista e ampliada em 2013; Fernando Pessoa, Poemas de Fernando Pessoa. 1921-1930 (2001) e Poemas de Fernando Pessoa. 1931-1933 (2004); Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição (2007, 2012); Hugo Schuchardt, José Leite de Vasconcellos, Correspondência (2015; com Enrique Rodrigues-Moura); e a edição digital de O Dicionário de Regionalismos e Arcaísmos de José Leite de Vasconcellos (em fase de finalização).